Confete, cinza e votos: Lula e Flávio empatam tecnicamente após a homenagem na Sapucaí
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Pesquisa Atlas/Bloomberg no pós-carnaval aponta empate técnico na corrida presidencial

No Brasil, o Carnaval talvez seja a passagem de devassa que os cidadãos atravessam para enfrentar o ano. Para alguns, é o momento de sonhar antes de cair na realidade; para outros, é o intervalo em que a vida parece suspensa, como se o país ganhasse licença para existir sem planilhas, boletos e ônibus lotados. Mas em 2026, carnaval e política se uniram mais do que nunca, e o glamour do confete virou cinza, como em toda Quarta-feira, quando a fantasia perde o brilho e parte das consequências dos nossos atos aparece junto com a ressaca moral.
Foi assim que eu vi o desfile da Acadêmicos de Niterói, em homenagem a Lula, que condensou uma pergunta que os progressistas preferem evitar: quem é reconhecido como parte do país por eles e quem é tratado como caricatura conveniente.
No artigo “Enlatando Evangélicos: fé, periferia e a preguiça de compreender”, falei como a ala “conservadores em conserva” empacotou, sob o rótulo de “neoconservadorismo”, um amálgama de agronegócio, elite urbana, saudosismo autoritário e grupos religiosos evangélicos, como se, apesar de origens distintas, tudo obedecesse ao mesmo interesse político. Era menos uma piada e mais um hábito, a versão carnavalesca de um atalho interpretativo que a bolha progressista usa há anos quando decide que compreender dá trabalho demais.
Para o eleitor médio, o desfile pareceu menos uma leitura do país e mais um espelho: a homenagem se confundiu com autocelebração, um Lula transformado em personagem triunfal da própria narrativa. Não mobilizou necessariamente indignação, mas acionou aquela irritação difusa com ego, excesso e a sensação de que a política está comemorando enquanto a vida real cobra, mesmo em tempos de carnaval.
Já para o eleitor cristão, sobretudo entre evangélicos, a chave de leitura foi outra: o que para uns era vaidade, para outros soou como recado. Não uma crítica abstrata ao adversário, mas um ataque que encosta na identidade, como se a sátira escorresse do campo político para o terreno do pertencimento.
E como diz o ditado popular, a ressaca moral é pior do que a ressaca alcoólica, porque a alcoólica você resolve com água e aspirina, e a moral você só resolve com o tempo. É o que revela a última pesquisa Atlas/Bloomberg, feita entre 19 e 24 de fevereiro, captada após o carnaval, ou seja, captada no ambiente em que o desfile em homenagem a Lula já havia sido interpretado e julgado pela população.
Pela primeira vez, a pesquisa que mais se aproximou do resultado do 2º turno de 2022, a Atlas/Bloomberg, mostrou Flávio Bolsonaro e Lula empatados tecnicamente.

Mostrou também que Lula derreteu cinco pontos percentuais entre os que achavam o governo ótimo ou bom e empurrou parte desse público para o regular. Na linguagem dos marqueteiros, transformou votos que estavam se cristalizando em votos flexíveis, passíveis de disputa.

Em 2026, as ações do governo importam mais do que nunca: das políticas públicas que chegam na ponta, como a isenção do imposto de renda, aos vídeos cortados que rodam pelos grupos de WhatsApp caricaturando o presidente. Quase tudo, a partir de agora, tende a ser medido pela régua eleitoral: as pesquisas.
Num universo em que o governo acabou de aumentar os impostos de importação em mais de mil itens, entre eles celulares, televisores, computadores e equipamentos usados em data centers, como CPUs, e em que isso ainda não foi captado pela pesquisa, já que a medida foi anunciada após o período de coleta, talvez seja o momento de o governo e a esquerda se perguntarem se o caminho que está posto é o caminho que querem sustentar.
O eleitor não separa a vida em caixinhas. Ele vai misturar o alívio no orçamento via IR com o encarecimento de eletrônicos via imposto, somar isso ao "humor social" que circula nos grupos de WhatsApp e aos enquadramentos que colam na testa da esquerda, e tirar seu próprio extrato.
Parte já está de um lado, parte do outro, mas ainda há voto em disputa. E, conforme essa última pesquisa, a corrida ao Planalto está mais acirrada do que nunca. O acesso completo a pesquisa você encontra aqui.




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